Calopsita cinzenta de bochechas laranja e periquito australiano verde e amarelo pousados lado a lado num poleiro de madeira

O que periquito pode comer além da ração e o que não pode

Calopsita cinzenta de bochechas laranja e periquito australiano verde e amarelo pousados lado a lado num poleiro de madeira

Há uma fruta que está em quase todas as casas brasileiras e que pode matar o seu periquito: o abacate. É tóxico para aves, e muita gente oferece achando que fruta é sempre saudável.

Guardada essa, vamos ao resto. O que periquito pode comer além da ração e o que calopsita pode comer além da ração são a mesma pergunta para duas aves muito parecidas no prato, e a resposta começa por arrumar uma ideia errada sobre a base da alimentação.

A base: semente ou ração extrusada

Esta é a decisão que mais pesa, e a maioria das gaiolas brasileiras começa pelo lado errado.

O pacote de mistura de sementes é o que se vende há décadas, e tem um problema que não se vê: a ave escolhe. Posta diante de uma mistura, ela come as sementes mais gordas e mais saborosas e deixa o resto no fundo. O dono vê o comedouro a esvaziar e conclui que ela está comendo bem, quando na verdade está comendo sempre a mesma coisa.

O resultado, ao fim de meses e anos, é desnutrição num animal que come o dia inteiro, com fígado sobrecarregado e penas de má qualidade. É dos quadros mais comuns em consulta de aves de gaiola.

Por isso a medicina de aves aponta a ração extrusada própria para a espécie como base mais equilibrada: cada pedaço tem a mesma composição, e a ave não consegue escolher só o que gosta.

A troca não se faz de um dia para o outro. Ave habituada a semente costuma recusar o que não reconhece como comida, e há quem passe fome diante de um comedouro cheio. Faz-se devagar, misturando, e com acompanhamento de veterinário de aves.

E aqui vale a mesma dica do rótulo que damos para outros animais: a Instrução Normativa nº 30, de 2009, do Ministério da Agricultura, obriga o rótulo a declarar os níveis de garantia e a identificar a espécie a que o produto se destina. Se o saco não diz para que ave é, desconfie.

Duas tigelas brancas lado a lado, uma com racao extrusada colorida e uniforme e outra com mistura de sementes variadas

O que periquito pode comer além da ração

Com a base resolvida, o dia a dia enche-se assim:

  • Folhas e verduras frescas, todos os dias. O que periquito pode comer de verdura inclui as folhas escuras, bem lavadas, e é a parte que mais falta na gaiola média.
  • Legumes, cortados pequenos ou presos na grade para ela bicar.
  • Fruta, em pedaços pequenos, como complemento e não como base.
  • Ovo cozido, de vez em quando, que tem seção própria mais abaixo.

O que periquito australiano pode comer é exatamente o mesmo, porque o periquito australiano é o periquito comum das casas brasileiras. E o que periquito verde pode comer também: verde é cor, não é espécie diferente.

Já o que periquito da caatinga pode comer e o que periquito rico pode comer merecem um aviso, e não é sobre comida: são aves brasileiras nativas, e isso muda a situação legal de quem as tem em casa. A última seção explica.

O que calopsita pode comer além da ração

A calopsita come praticamente a mesma coisa, e as perguntas repetem-se em muitas formas: o que calopsita pode comer fora ração, o que calopsita pode comer sem ser ração, o que calopsita pode comer todo dia, o que calopsita e periquito pode comer.

A diferença está no tamanho e no apetite. A calopsita é maior, mais curiosa e mais inclinada a provar o que vê, o que a torna mais exposta aos acidentes da cozinha. Com ela, o cuidado com o que está ao alcance tem que ser maior.

O que calopsita pode comer de legumes, o que calopsita pode comer de verdura e o que a calopsita pode comer verduras: a mesma resposta do periquito, com pedaços um pouco maiores. Variedade ao longo da semana vale mais do que quantidade de um só item.

O que pode comer de fruta

O que periquito pode comer de fruta, o que periquito australiano pode comer de fruta, o que calopsita pode comer de fruta, o que calopsita pode comer de frutas e verduras, o que calopsita pode comer de fruta e verdura: tudo a mesma coisa, e a regra é a de sempre nos animais pequenos. Fruta é açúcar, portanto é complemento, não é base.

Calopsita pode comer banana e o periquito pode comer banana: podem, em pedaço pequeno, e não todos os dias. Calopsita pode comer maçã: pode, sem as sementes, e esta ressalva não é detalhe. As sementes da maçã contêm compostos que libertam cianeto, e num animal de poucas dezenas de gramas a margem é mínima. Tire o miolo central antes de oferecer.

Sobre periquito pode comer jiló, e outras dúvidas de legume específico: um item isolado raramente decide alguma coisa. Construa a semana com variedade e deixe de fora o que gera dúvida, em vez de procurar a autorização para cada alimento.

Periquito australiano verde pousado na grade da gaiola, bicando uma folha verde escura presa entre as barras

O periquito pode comer ovo cozido

Pode, e é um costume antigo que faz sentido.

O ovo cozido é reforço de proteína, útil sobretudo em épocas de troca de penas e em aves em recuperação. Oferece-se bem cozido e já frio, em pedaço pequeno, sem sal e sem tempero, e retira-se o que sobrar passado pouco tempo, porque estraga depressa no calor e aí vira problema em vez de ajuda.

É complemento ocasional. Ovo todos os dias não é dieta de ave de gaiola.

O que calopsita não pode comer de jeito nenhum

Agora a lista que importa decorar, e a primeira linha é a mais importante de todo este texto.

  • Abacate. É tóxico para aves e pode matar. Não há quantidade segura, não há parte segura, e o fato de ser fruta não muda nada.
  • Chocolate e cacau, por causa da teobromina.
  • Café e qualquer bebida com cafeína.
  • Álcool, em qualquer quantidade.
  • Sal e comida temperada. O organismo de uma ave pequena não lida com o sal da nossa comida.
  • Cebola e alho.
  • Sementes e caroços de algumas frutas, com destaque para as da maçã.
  • Comida processada, salgadinhos, bolacha, pão com recheio.

Isto responde também a o que periquito não pode comer, o que periquito australiano não pode comer e o que calopsita pode comer e o que não pode: a lista do veneno é igual para as duas espécies.

O perigo da cozinha que não é comida

Esta seção não é sobre alimentação, mas entra aqui porque mata mais aves do que muita comida errada, e quase ninguém sabe.

Panelas antiaderentes sobreaquecidas libertam vapores que são letais para aves. Não é preciso a panela queimar: basta ficar demasiado tempo no fogo vazia ou em fogo alto. A ave não precisa de estar na cozinha, basta o ar circular pela casa, e a morte costuma ser rápida e sem aviso.

Por isso, com ave em casa: nada de gaiola na cozinha ou ao lado dela, janela aberta enquanto se cozinha, e atenção especial a panela esquecida no fogo. Vale também para fornos em autolimpeza e para alguns aparelhos com revestimento semelhante.

No mesmo capítulo entram os produtos de limpeza com cheiro forte, os aerossóis, os incensos e o fumo de cigarro. O aparelho respiratório das aves é muito mais eficiente que o nosso, e isso significa que também absorve muito mais depressa o que está no ar.

Cálcio, osso de siba e o mito do grit

Duas coisas que costumam andar trocadas na gaiola.

O cálcio faz falta a qualquer ave e muito mais às fêmeas que põem ovos, porque a casca sai do cálcio do corpo delas. Fêmea com pouco cálcio corre risco de ficar com o ovo preso, que é urgência veterinária. O osso de siba preso à grade é a forma clássica de oferecer, e há outras que o veterinário indica.

Já o grit, aquela areia que se vende para pássaros, é o mito. Periquitos e calopsitas descascam a semente antes de engolir, portanto não precisam de pedras no estômago para a moer, ao contrário de aves que engolem grão inteiro. Em excesso, o grit pode causar entupimento. Antes de o pôr na gaiola, pergunte ao veterinário se a sua ave precisa mesmo.

Calopsita cinzenta aproximando o bico de um osso de siba branco preso a grade da gaiola

Periquito, calopsita, papagaio: a lei não trata todos igual

Aqui está a parte que quase nenhum texto sobre aves de gaiola traz, e que pode poupar um problema sério.

O periquito australiano e a calopsita vêm da Austrália. São fauna exótica, não são fauna silvestre brasileira, e por isso não seguem a regra das nativas.

Já o papagaio verdadeiro, o periquito rei, o periquito da caatinga e a maritaca são aves nativas do Brasil. Essas são fauna silvestre, e manter uma em casa exige origem legal.

O que isso significa na prática, segundo as normas do IBAMA:

  • a ave tem que vir de criadouro registrado;
  • tem que usar anilha fechada, que a Resolução 487, de 2018, define como anel fechado e inviolável, colocado na pata do filhote e impossível de remover ou de inserir depois;
  • a nota fiscal tem que trazer o número de registro do criadouro no IBAMA, o número da anilha e a espécie;
  • a ave circula acompanhada dessa nota.

E a advertência mais importante: ave vinda de criadouro não registrado é ilegal mesmo tendo anilha e nota fiscal, e não pode ser regularizada. Anilha no pé não prova coisa nenhuma sozinha. O que prova é o registro do criadouro.

Num caso a exigência é ainda maior. Para o papagaio-verdadeiro nascido em cativeiro para criação comercial, a norma pede dois dispositivos de marcação ao mesmo tempo: transponder ou anilha fechada, mais registro fotográfico que permita individualizar o animal.

Se está pensando comprar, peça a nota antes de pagar e confira se nela constam o registro do criadouro, a anilha e a espécie. Se o vendedor não tem isso, não é falta de papel: é falta de legalidade.

Perguntas frequentes

O que periquito pode comer além da ração?

Folhas e verduras frescas todos os dias, legumes, e fruta em pedaços pequenos como complemento. Ovo cozido entra de vez em quando como reforço de proteína. O que não funciona é viver só de semente, que é a causa mais comum de desnutrição e de problemas de fígado em aves de gaiola.

O que calopsita não pode comer de jeito nenhum?

Abacate, em primeiro lugar e sem exceção: é tóxico para aves e pode matar. Depois chocolate e cacau, café e qualquer bebida com cafeína, álcool, sal, cebola e alho, e as sementes de algumas frutas, como as da maçã. Nada de comida temperada ou processada.

O periquito pode comer ovo cozido?

Pode, e é um complemento antigo e bem aceite. Oferece-se cozido e já frio, em pedaço pequeno, sem sal nem tempero, e retira-se o que sobrar passado pouco tempo, porque estraga depressa. É reforço ocasional, não é refeição diária.

Semente ou ração extrusada, qual é a base?

A medicina de aves moderna aponta a ração extrusada própria para a espécie como base mais equilibrada, porque a ave não consegue escolher só o que gosta. Numa mistura de sementes, ela come as mais gordas e deixa o resto, e é assim que chega à desnutrição comendo o dia inteiro. A troca faz-se devagar e com orientação veterinária.

Periquito australiano e calopsita precisam de autorização do IBAMA?

São aves de origem australiana, portanto fauna exótica, e não seguem a regra das aves nativas brasileiras. Já o papagaio-verdadeiro, o periquito-rei ou a maritaca são fauna silvestre nativa: exigem origem legal, anilha fechada e nota fiscal com o registro do criadouro e o número da anilha. Ave de criadouro não registrado é ilegal mesmo com anilha e nota.

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Fontes oficiais

  • Normas do IBAMA sobre marcação e comércio de aves, consultadas nos portais oficiais em 20 de outubro de 2026: a nota fiscal emitida por criatório comercial deve conter o número de registro do criadouro no IBAMA, o número da anilha e a espécie, e a anilha deve ser fechada; aves provenientes de criadouros não registrados são consideradas ilegais mesmo portando anilha e nota fiscal, e não podem ser registradas. A Resolução IBAMA nº 487, de 15 de maio de 2018, define anilha fechada como anel fechado e inviolável, com diâmetro suficiente para inserção na pata do filhote mas que não possa ser removido ou inserido no indivíduo jovem ou adulto, e exige, para espécimes de Amazona aestiva nascidos em cativeiro destinados à criação comercial, dois dispositivos de marcação simultâneos: transponder ou anilha fechada, conforme o grupo taxonômico, e registro fotográfico que possibilite a individualização do espécime. A Instrução Normativa IBAMA nº 3, de 2011, determina que os descendentes nascidos a partir de 30 de novembro de 2012 sejam anilhados com anilhas fechadas e invioláveis, e que as aves anilhadas oriundas de criadores comerciais autorizados circulem acompanhadas da nota fiscal.
  • Instrução Normativa nº 30, de 5 de agosto de 2009, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, com alterações posteriores: obriga os alimentos para animais de companhia a declarar no rótulo os níveis de garantia de umidade, proteína bruta, extrato etéreo, matéria fibrosa, matéria mineral, cálcio e fósforo, e a identificar a espécie e a categoria animal a que o produto se destina.

Informação verificada em 20 de outubro de 2026. Este texto explica a lógica da alimentação e as regras de posse, mas não é dieta nem parecer jurídico. Quantidades, troca de ração e qualquer sinal de doença são matéria de médico-veterinário com experiência em aves. As normas de fauna mudam, por isso confirme no IBAMA e no órgão ambiental do seu estado antes de comprar.